bati a cara no poste

sexta-feira, 8 de junho de 2018


hoje paguei não um, nem dois, mas três micos num curto espaço de tempo, entre o ponto de ônibus e o metrô. primeiro, bati com a cara no poste. depois, deixei a bolsa cair e, não contente, PISEI na coitada antes de voltar pra buscar. e depois tropecei.

e comecei a rir, claro.

tinha um crush do meu lado e não sei disfarçar, então fiquei tão afobada que acabei agindo dessa forma. certeza que perdi o flerte nesse exato momento, e rolou então a clássica questão de

"pô, naiara, de novo? sério? tem geleia no lugar dos pés?"

mas ai parei e pensei: meu-senhor-jesus o que é um tropeço para quem pulou de um ônibus em movimento, quebrou a cara todinha, levantou, andou 1 metro, viu o ônibus lá paradinho no ponto, deu risada sem conseguir dar risada POIS maxilar quebrado e foi pra casa? na-da.

ultimamente tenho pensado muito nisso tudo. hoje tenho 24 anos, pretendo chegar pelo menos aos 70 (com fé na humanidade, claro, pois se tiver uma guerra morro no primeiro dia. apocalipse zumbi, então, nem se fala. 10 minutos no máximo). sou de humanas e rola aquele lance de "contas, tô fora", mas não preciso ser uma gênia (eu sei, eu sei, gênia não existe, mas acho bem chato esse lance de não ter versão feminina para uma palavra tão forte) da matemática para deduzir que aos 70 esse tropeço nem será lembrado. nem a cara no poste. o que é uma manhã inteira de micos para uma vida inteira de outros micos?

sério, galera, o que é uma coisinha de nada para uma vida toda? porque é que nos prendemos tanto a UM ACONTECIMENTO quando temos a vida toda pela frente? claro, desde que esse acontecimento não seja um filho inesperado feito no banheiro da balada ou um acidente muito grave que nos acompanhará pra sempre... mas de resto, não vale um fio de cabelo branco, não.

até o meu acidente, que me rendeu 12 pinos e 2 placas que nunca sairão daqui, não valem uma vida inteira de lamentações. embora eu continue me lamentando pois, vejam, meu ascendente é em virgem e portanto dramática sou e continuo dizendo que "tô recém operada, dá um tempo". talvez continue falando isso aos 70 anos, não sei, ninguém sabe, veremos.

o que quero dizer é: paguem micos na frente do tal crush que não sabe nem seu nome e sua história e depois CASQUEM O BICO ao mandar áudio para uma amiga relatando tudo que aconteceu.

a vida é curta demais e se eu morrer hoje ao pular do ônibus de novo ou qualquer coisa do tipo pelo menos, PELO MENOS, chegarei do outro lado dando risada e contando pra todo mundo no céu que tropecei e dei com a cara no poste. meus avós vão curtir a história. "tem pé de geleia, essa menina, herdou de quem?". certeza que foi do meu avô materno que, ao visitar São Paulo pela primeira vez, lá em 1990 e tal, deu com a cara no poste também.

é isso.

o amor ainda existe

sexta-feira, 4 de maio de 2018

eu sei que vou te amar pra sempre. e isso não é ruim, muito pelo contrário.

crescemos acreditando que, quando a paixão acaba, o amor se torna algo ruim. pior: acreditamos que, quando o amor acaba, toda a história não tem valor nenhum.

balela, meu bem.

eu cresci acreditando no amor como a mais bela de todas as coisas do mundo, e sei o quanto ele pode me fazer bem. o que faz mal não é o amor, como dizem. é o apego, o ciúme, a distância, a falta de vontade, a fidelidade inexistente. 

não é o amor que machuca, não. e é por isso que me sinto em paz ao dizer que ainda te amo e que vou continuar amando. não quero acabar com um sentimento bom, quero acabar com os sentimentos ruins - o ciúme, o apego, a distância, a falta de vontade, fidelidade... e lealdade - mas não quero acabar com o amor. convenhamos, o bichinho não fez nada. ele só me fez sorrir, cuidar de ti, me enlaçar em você na hora de dormir, chorar no seu peito na hora da despedida. isso não é ruim. inclusive, foi ele que fez o meu coração pular quando você disse que me amava. 

o mundo não está pronto para me ouvir dizer que ainda te amo. nem para me ouvir dizer que amo as pessoas que passaram pela minha vida e que não me fizeram algum grande mal, mas que também não atenderam às minhas expectativas. afinal, elas eram minhas. eu confio no meu sentimento e no sentimento das pessoas. sou seletiva, pô. não amo qualquer um que me oferece uma mão. amo apenas quem está ao meu lado e quem dança comigo essa grande bagunça cheia de passos que é a vida. 

as pessoas condenam o amor pois acham que ele se encontra em cada esquina, sendo que, na verdade, ele mora nos becos mais sombrios. e nós, num todo, evitamos entrar nos becos. entrei em vários e foi lá que encontrei todas as boas pessoas que convivem comigo. 

não importa o quanto alguém tenha me magoado se, num amontoado de lembranças, as melhores se sobressaem. eu excluo da minha vida, sim, não vou manter algo que, infelizmente, não tem mais futuro. mas isso não significa que vou guardar algum rancor ou outro sentimento qualquer aqui dentro de mim. 

eu guardo amor. pelo que passou, pelo que fomos e pelo que seremos. quero conquistar o mundo e um dia quis você ao meu lado para conquistar também. o amor permanece intacto, mas não te quero mais ao meu lado, não.

hoje quero conquistar o mundo ao lado da minha família e dos meus melhores amigos, mas te mantendo no meu coração que é pra sorrir quando lembrar de nós. sem pensar que foi "tempo perdido" o que vivemos juntos. afinal, não perdi tempo nenhum. continuei vivendo com ou sem você. 

o maior aprendizado do amor é justamente esse: a liberdade de ser e de viver mesmo com um grande amor acontecendo.  


15 anos

segunda-feira, 16 de abril de 2018

todo domingo, na hora do cochilo da tarde, tenho sonhos totalmente reais. sei que durmo, sei que sonho, mas parece que sonho acordada. no de ontem eu tinha a sensação de estar acordada, escrevendo e me preocupando com o que estava escrevendo, mas na verdade era sonho. e só dava pra saber pois, no irreal, eu estava grávida. e escrevendo.

não estou grávida na vida real, então era um sonho.

talvez tenha sido um sonho quase real pois ando realmente me preocupando com o que escrevo. na verdade, com o que não escrevo. faz tempo que não coloco pensamentos em palavras. faz tempo que não tento. tá, vai lá, isso é exagero, escrevo algo todos os dias ou pelo menos em quase todos, mas aqui, nessas tantas palavras soltas nesse mundo tão gigantesco que é a internet, tenho faltado.

e de que importa?

assim como no sonho, a vida real é outra. ela, tenho vivido. e sinto tudo tão bagunçado que não consigo vir aqui para escrever e dizer:

olha, está uma bagunça.

pois está. me sinto repleta de ruídos abafados e não sei muito bem como transformar isso em música, mas sigo tentando. acho que estou na zona de conforto e nunca fui muito com a cara dela, mas é onde me encontro agora. só que, dessa vez, diferente de todas as outras, não sei o que devo mudar: se é o cabelo ou se é tudo. difícil dizer.

parece areia movediça. quanto mais você pensa, mais você afunda.

como é que sai? nem sei se quero sair.

ara mas tá, vai ter que sair. se vira, mocinha.

esses dias vieram comentar aqui nesse espaço (que ninguém nem vê, como me achou é uma dúvida) que pareço ter 15 anos. e que é uma pena. não sei se entendi a pena. mas que eu queria voltar aos 15, queria. a vida adulta é a tal da areia que te leva cada vez mais pra baixo, e é foda se manter na superfície. mas tentamos. pelo menos tem algo em mim que parece ter 15 anos, e isso talvez seja bom.

nem tudo está perdido, afinal.

faz tanto tempo que estou sozinha, digo, amorosamente falando, que chego a pensar que é pra sempre. será? solteirona mesmo, eu e meus cachorros? ou gatos? e plantas? isso não me assusta. tem vezes que parece um baque, mas depois eu agradeço.

mãe diz "melhor sozinha do que mal acompanhada", e eu concordo.

até quase não fiquei mais sozinha, lá no final do ano. foi quando caio apareceu. acontece que caio apareceu para me mostrar que eu quero, sim, ficar só, e decidir se prefiro cortar o pé com vidro na virada do ano e aprender dessa forma ou se quero alguém me dizendo o que fazer.

quero cortar o pé, oras.

e assim estamos. leituras em dia, pelo menos isso. viagens sendo planejadas e essas coisas todas.

apesar de toda a bagunça que citei nesse texto - e que transformei nesse texto - no final do dia, minutos antes de cair no sono, sinto paz.

e é só isso que eu busco desde os 15 anos.

almas - a tua e a minha

quinta-feira, 1 de março de 2018

sonhei com você hoje... de novo. 

eu já nem tenho muito o que falar. você sabe que isso sempre acontece, e eu também sei. e dói, viu. dói muito. 

dizem que a alma sai do corpo durante o sono e encontra pessoas por ai... e então essas pessoas aparecem nos sonhos. minha alma vive saindo pra te encontrar. eu nunca achei que poderia ter inveja de uma alma, poxa vida, mas eu tenho. 

poderia pensar diferente. quem sabe um "bom, pelo menos minha alma está com ele" ou pelo menos um "ele apareceu no meu sonho, bom reencontrá-lo pelo menos assim". mas não funciona... continua doendo depois. dói por saber que tudo que eu queria era exatamente isso. você me beijando sem ser um sonho. sem o acabar-ao-acordar.

eu só queria que não doesse.

como não tem como não doer, eu te peço pelo menos uma coisa:

manda minh'alma embora, vai. não me beije, não me abrace, não seja o amor da vida que um dia eu encontrei. seja o canalha que é! e ai sim, vai doer e a tal alma vai chorar... mas no dia seguinte eu acordarei, pelo menos, livre de ti. 

eu não aguento mais.

mas mesmo não aguentando, hoje não vou me entregar, não. vou trabalhar, vou pra aula de bateria, vou passear com o cachorro, vou manter a dieta, beber 2 litros de água, começar um livro novo. 

não vou me deixar cair no chão e passar o dia lá, como sempre acontece quando você aparece. 

sou maior do que isso. vai doer o dia todinho, coitado do meu coração, mas nenhuma lágrima vai cair, nenhuma mensagem será enviada, nenhuma ligação será discada. 

tua alma pode até merecer a minha. mas você... não.

ah, a vida...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018


tá tudo bem, naiara. o cachorro ficando cego de um olho, a operação inflamada, uma casquinha gigante de sangue saindo do seu ouvido cuja cicatrização ainda não é garantida, muita correria, dor de cabeça quase-todos-os-dias e insônia quase sempre.

mas está tudo bem.

pensa só: você descobriu a tempo que Sebastian agora é dono de uma catarata e vai poder cuidar do bichinho como ele merece, seus "machucados" com o tempo vão parar de inflamar e aos poucos tudo volta ao normal. você conseguiu até ir no dentista, saca só!

agradecer pelas vitórias dos pequenos desafios faz parte do aprendizado - e do caminho.

sei que você se sente sozinha quase sempre, e que a vida adulta tem sido difícil - é eita atrás de eita - e que você está cansada de se doar por quem não se doa nem um-por-cento, e é por isso que é melhor a solidão do que uma solidão conjunta repleta de quem não te acrescenta, sabe? já dizia lygia "somar solidão só pode dar numa solidão ainda maior". continua cavando cada vez mais fundo de você. és o seu próprio arco-íris e no final existe o pote de ouro. 

continue espalhando o melhor que conseguir. o resto vem. confesso até que sinto, a cada dia, um orgulho maior de você. por conseguir manter o sorriso no rosto mesmo quando nem tudo vai bem e por continuar acreditando no dia seguinte. eliminando tudo de ruim que aconteceu no passado, agradecendo pelo presente e planejando, aos poucos, o futuro. futuro esse tão, mas tão repleto desse brilho que você adquiriu, sozinha, ao longo dos últimos anos... as pessoas te deram amor, mas quem derrubou cada obstáculo, foi você, embora algumas continuem insistindo que elas estavam lá, derrubando também. você sabe que não.

continue seguindo, seguindo, seguindo, sem parar! e você sabe que aos poucos tudo se encaixa. mas você vai precisar ser adulta - e decidida! - mas pelo menos isso você é e já faz um tempo. desde quando decidiu fazer o que bem entendesse. sempre. é como diz a sua mãe: essa garota bateu a cabeça quando nasceu.

todo mundo tem suas fases de sentir o mundo todo nas costas. a sua vem e volta, e nunca vai embora completamente, mas é sempre passageira. logo, logo, tudo fica bem. cê sabe. com calma, carinho, e amor, você prova - e não prova pra ninguém a não ser pra você - que 

vida
é 
boa, 
afinal.

todo mundo se sente um pouco perdido, mas saber que tudo isso é muito pouco perto do todo, faz doer um pouco menos. que sorte a nossa por saber que existe muito mais do que nossos olhos podem enxergar.

sempre vai faltar algo, nada dura para sempre e a vida é uma eterna repetição de tapa na cara e carinho. o que importa é ser feliz mesmo nos momentos mais complicados - e principalmente nos intervalos. 

oração

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

não sei se deus existe e se ele costuma atender aos nossos desejos, mas todo mundo diz que sim, então eu quis tentar. eu pedi para te esquecer.

e eu pedi, mesmo, fervorosamente, com direito a "senhor deus, eu te peço" e tudo mais. não sei se ele vai me escutar ou ajudar, mas eu torço para que sim. 

eu não aguento mais e rezar foi minha última alternativa. 

mais de 4 anos e no meio de tudo isso eu já namorei outra pessoa, já fiquei com várias outras, já fiquei com você, já te bloqueei, já comprovei que você pode ser um péssimo relacionamento (para mim) quando quer, já percebi que existem outros caras que podem (e que querem) me fazer feliz, já viajei para lugares mais bonitos do que a sua cidade e já dormi em outros ombros. mas tu... ah, tu continua sendo o único dono desse coração que eu carrego no peito.

e isso me mata aos poucos.

me mata pela impossibilidade de nós dois. por saber que não vamos dar certo. por saber que existem muitos quilômetros que nos separam, por entender que nossos jeitos são opostos e que, ao contrário do que dizem, os opostos até se atraem, mas não dão certo. 

como é difícil gostar tanto de alguém que não está aqui, cujo contato e relacionamento é conturbado demais para continuar existindo. 

essa noite eu sonhei com você. num primeiro momento, éramos os dois do jeito que somos: eu me afasto, você não vem atrás. e então eu acordei e pensei "é ele, não quero mais sonhar". e dormi. e você voltou. e na segunda vez, éramos a nossa melhor versão: juntos, abraçados, cheios de carinho e emanando amor. amor puro, purinho, como o que provei ao te encontrar.

acordei chorando. foi a primeira vez em muito tempo que chorei tanto por você. ou por estar sem você, no caso. e eu não sabia o que fazer, então eu te contei. e você me disse que me ama, sempre, e que também sonhou comigo.

e então, sumiu. como sempre. você continua sendo você, e eu continuo te querendo mais e mais. já não sei mais o que fazer, e é cada vez mais difícil acordar sabendo que quero te tirar da minha vida ao mesmo tempo que ainda sonho com a nossa casa, nossas plantas e nossos gatos. é difícil tentar cortar os laços quando você ainda aparece nos meus sonhos, quase todos os dias. 

deus, por favor, tire isso de mim. essa é a única frase que eu consigo dizer em relação a você. perdi as forças, perdi minhas esperanças, eu só quero que esse sentimento vá para bem longe de mim. e ao mesmo tempo, só quero que você venha pra cá pra deitar do meu lado e dizer que "vai ficar tudo bem".

 

no presente, tudo. no futuro, nada

terça-feira, 16 de janeiro de 2018


o que poderíamos ter sido?

você já parou pra pensar nisso? confesso que já pensei algumas vezes. vejo casais na rua e imagino nós dois, mesmo sabendo que nunca nos encaixaríamos naquela cena. diferenças demais e loucuras também.

mas sabe o que poderíamos ter sido? fogo. quando digo que quero ficar com alguém para incendiar a minha vida, penso em você.

nosso maior "algo em comum" seria a vontade de criar as histórias para contar. eu com as minhas, você com as suas.

nós, com as nossas.

poderíamos ter sido, mas não fomos. e tá tudo bem. seguimos caminhos opostos e você resolveu colocar fogo no mundo com outra pessoa.

sigo colocando sozinha.

quando eu percebi que você não queria ser nada comigo, eu continuei sendo a minha maior parceira. estamos felizes, é o que importa, sem mágoas ou rancor, somente carinho.

poderíamos ter sido, sim. mas no final, vulgo hoje, eu descobri que foi melhor assim: não fomos.
Made With Love By The Dutch Lady Designs